DIA DAS CRIANÇAS

Pais embrulhados para presente

É O QUE RECOMENDA UMA MÃE E EDUCADORA EXPERIENTE PARA TODOS OS DIAS DAS CRIANÇAS

O dia das crianças vem aí! É só mais uma data comercial? Por um lado pode ser, mas essas ocasiões têm o mérito de nos fazer pensar na família. A minha está para aumentar e por isso meu coração está ligado no bebê que pode chegar nesse dia também para muitos outros pais em final de gestação. Que presente especial! Mas vocês, que estão para se tornar pais, já pensaram que estarão de verdade ganhando nesse momento?

São tantas as expectativas! Um filho poderá preencher nossas horas vazias, nos fazer companhia, cuidar de nós quando envelhecermos, e nos manterá úteis, pois cuidaremos dele. Ampliaremos nossa roda de amigos com pessoas que tenham filhos da mesma idade. Essa criança nos manterá jovens ao acompanharmos cada passo em seu crescimento. Teremos muito a fazer: planejar a festa do seu aniversário, seu Natal, a Páscoa... O trabalho ficará mais gostoso entremeado de conversas com as colegas sobre o cotidiano dos nossos filhos. Acompanharemos sua saúde, aprenderemos sobre como trocar a fralda, alimentar, cuidar de febres e machucados. Vamos ter muitas dúvidas. Mas, ao mesmo tempo, uma certeza inabalável: nosso filho terá que ser bem sucedido e nós poderemos nos orgulhar dele — do que ele já é para nós sem nem ao menos ter começado a ser. Ah, essas nossas expectativas...

E o bebê chega ao mundo com sua vida já delineada pelos pais. Freqüentará as melhores escolas terá um bom emprego. Será o melhor, o maior, um vencedor. E, de repente, agente para aquela criança recém-nascida, pequena, frágil que apenas chora, sorri, chama, que colo, carinho, o leite materno, depois a papinha... Parece tão pouco o que ela quer. Os pais desejam dar mais. Querem encantar os seus filhos com muitos brinquedos de cores. Formatos, tamanho diferente. Comprar-lhe roupas coloridas e alegres. Levá-lo a passear, conhecer lugares lindos e espaçosos. Fazer-lhe agrados com muitas guloseimas. Querem que ele aprenda de tudo, depois de tudo se descuidar da língua estrangeira, essencial hoje para sobreviver... E vão comprar, adquirir, gastar, investir. Vão esforçar-se, trabalhar, pensar em como ganhar mais. E aí se depara com o desgaste, o sacrifício. Entristecem. O presente virou um fardo? Como dar conta de todos esses sonhos depositados nas crianças?

Pais vamos parar um pouquinho. Vamos olhar para os nossos filhos e escutá-lo com o coração. Saibam o que suas crianças estão dizendo:

“Minha mãe, meu pai, adoro tudo que vocês me dão, os brinquedos que escolhem para mim, mas meu maior prazer é quando eles o fazem brincar comigo, junto no chão, com paciência para me ensinar a acertar, perder, errar, conviver, compartilhar. também fico bonito com as roupas que ganho. Todos me admiram, mas gosto do olhar de vocês, do seu afeto, dos seus abraços. Adoro os banhos que vocês me dão, deixando-me brincar, espirar águas para todos os lados. Gosto de ficar ao lado de vocês, talvez não no melhor momento. Eu sei, tem hora do jornal, da novela, da ginástica, da saída para o trabalho, o dia da reunião, o supermercado, os atrasos, os cansaços...Mas é que preciso comentar meus problemas. Eles podem não parecer importantes. Sei lá, estou com fome ou sem fome, não quero tomar banho, quero brincar o tempo todo, faço birra, bagunça. É a vida de criança, e gosto de me sentir amado assim, de me sentir protegido, acolhido sempre que me alegro ou entristeço, quando vou bem ou dou trabalho na escola. Gosto de jogar conversa fora com vocês, de estar com quem sabe me ouvir, me ver, apontar meus defeitos sem ameaças. Gosto de ficar bravo, sentir raiva sem medo de perder vocês”
Pais ouviram isso? Um filho quer tudo isso porque precisa saber se realmente é importante em suas vidas. Esse sentimento lhe dá conforto e segurança. Se a criança acredita que é especial para os pais, se sentirá assim em relação aos amigos, ao professor, aos namorados, aos colegas de trabalho, aos chefes. Se sentirá importante para a comunidade e o mundo e, por isso, fortalecida para enfrentar todos os desafios, independentemente do que possamos lhe proporcionar.
É, o Dia das Crianças vem aí...O que o seu filho mais deseja? Prestem atenção, ouçam: “MANHÊÊÊ, PAIÊÊÊ, EU QUERO VOCÊS”

Texto de Neide Noffs
Extraído da Revista Crescer de outubro de 2003

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