INTRODUÇÃO
Desde os primeiros instantes em que começamos a pensar em criar a Escola Modelo do Grajaú, em julho de 1997, nosso objetivo principal foi o de oferecer à comunidade deste bairro bem como aos que lhe são adjacentes, uma opção séria e inovadora de escola, pautada nos mais atualizados conceitos sobre educação e em práticas educativas de vanguarda, que possibilitassem às crianças que a freqüentassem estarem aptas a viver de modo pleno não só os avanços tecnológicos que a proximidade do 3º Milênio lhes oferecia, mas também a participar ativa, sensível e criativamente da construção deste mundo novo com que hoje nos deparamos.
Nossa proposta educacional tem procurado, sobretudo, reinventar a Escola, adotando metodologias que nos têm permitido formar crianças independentes, criativas, com iniciativa própria, curiosas e desejosas em saber, aptas à pesquisa, acreditando sempre que o conhecimento se solidifica através da interação e da cooperação entre as pessoas. Como educadores, sabemos que isto significa que estamos contribuindo para a conquista de uma sociedade mais fraterna e menos competitiva, ou seja, estamos construindo cidadania.
Passados dez anos, temos hoje a satisfação de constatar que nossas metas vêm sendo plenamente atingidas, ao verificar tanto o desempenho de nossos alunos, quanto a procura por nossa instituição que a cada dia mais se solidifica.
Assim sendo, colocando em prática um projeto de crescimento com qualidade, estamos oferecendo ao nosso público, a partir de 2008, o 6° ano do Ensino Fundamental, com implantação do 7°, 8° e 9° anos gradativamente nos anos seguintes, para posteriormente implantarmos o Ensino Médio. Este segmento de ensino funciona pela manhã, em nossa sede atual, e está sendo coordenado pela professora Ana Maria Martins Pereira Desiderio Reis.
Por outro lado, sabendo da obrigatoriedade do domínio da Língua Inglesa hoje, num mercado de trabalho altamente competitivo, concluímos ser fundamental incorporarmos ao nosso currículo um programa de aprofundamento do idioma inglês como segunda língua de cada um dos nossos alunos. Estudiosos e especialistas em Lingüística afirmam que, na primeira infância, o aprendizado de idiomas é mais simples porque as áreas do cérebro responsáveis pela fala estão em plena expansão e, por isso, geram um ambiente propício para novas aquisições lingüísticas. Assim sendo, além do oferecimento dos Anos Complementares do Ensino Fundamental, nosso currículo passou a englobar o oferecimento a todas as nossas turmas, a partir de 2008, de uma Educação Bilíngüe.
1 – O ENSINO BILÍNGÜE EM NOSSA ESCOLA
A aquisição de uma segunda língua é eficaz quando é realizada de maneira gradual e contínua, em momentos que favorecem a interação e comunicação entre professor-aluno e aluno-aluno. A linguagem é desenvolvida espontaneamente, assim o aluno não se sente pressionado. No ensino bilíngüe, as atividades – dirigidas e também mais livres – são dinâmicas e interativas e estão inseridas na convivência rotineira da escola. Isto quer dizer que na hora de alimentar-se, vestir-se e também brincar o Inglês é utilizado, sem a necessidade da instrução formal (no caso da Educação Infantil). A este processo chamamos de vivência.
Diariamente todas as crianças da Educação Infantil têm um momento de viver o idioma, em atividades lúdicas (brincadeiras, contação de histórias, desenhos, corte e colagem, conversação). Sabemos também da necessidade da implementação de uma rotina para um melhor desenvolvimento da criança, por isso o “English time” (horário do Inglês) é sempre o mesmo, tornando a aquisição da língua algo que faz parte do dia-a-dia das turmas. Desta maneira a criança se sente mais segura e preparada, pois saberá distinguir o momento em que será necessário usar cada língua.
Nesta etapa os alunos têm contato com o idioma através das vivências com a professora de Inglês. A cada dia da semana os alunos têm 30 (trinta) minutos de contato com a professora, sendo em alguns dias no horário da brincadeira dirigida, outros na hora de comer o lanche, outros em um momento destinado especificamente ao contato com o Inglês. Neste caso, a professora utiliza materiais didáticos (figuras, músicas, histórias, vídeos, fantoches, jogos etc.) além do material escolar comum (papel, caneta, etc.). No English time a professora da turma está sempre presente, acompanhando todas as atividades desenvolvidas com a turma.
Para as crianças dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental há uma carga horária semanal de 3 (três) tempos de aulas formais, com a duração de uma hora cada. Nesta fase, a professora começará a introduzir conceitos gramaticais, desenvolver a leitura e a pronúncia além de expandir o vocabulário dos alunos. Há um livro didático e alguns paradidáticos para ampliar as habilidades de leitura/escrita e vocabulário. Nas aulas de Inglês desta faixa de escolaridade as crianças também têm atividades dinâmicas e divertidas, músicas e o uso da informática como ferramenta para aprimorar seus conhecimentos e estimular seu interesse pela segunda língua.
No Ensino Fundamental há também avaliações formais (testes, provas e trabalhos) em Inglês, assim como nos componentes curriculares regulares (Língua Portuguesa, História, Geografia, Ciências e Matemática). Além disso há uma avaliação feita através do Portfólio, onde são guardadas todas as produções da criança ao longo do ano letivo.
A partir do 1º ano, a inserção de elementos de outra cultura entra como fator enriquecedor do currículo de nossa escola. Enquanto valorizamos pontos da identidade étnica dos alunos e reforçamos o seu imaginário através da introdução aos aspectos históricos e folclóricos de nossa cultura brasileira, valorizamos também a pluralidade cultural, acrescentando à base do ensino o conhecimento de fatos históricos e culturais dos países de língua inglesa (feriados, datas comemorativas e costumes). A proposta visa atingir na prática o respeito e o interesse por outras culturas, além de preparar as crianças para o mundo globalizado em que vivem.
Nos Anos Complementares do Ensino Fundamental o Inglês tem a carga de 5 (cinco) tempos semanais de 50 (cinqüenta) minutos. Neste período, o professor desenvolve com os alunos todas as habilidades necessárias para que eles se tornem fluentes no idioma: fala, escrita, leitura e compreensão auditiva. Há também a adoção do livro didático, de uma gramática e de livros paradidáticos em Inglês, bem como outros materiais necessários para aprofundar os conhecimentos dos educandos.
Com a aquisição da língua inglesa desde a Educação Infantil a criança desenvolve sua habilidade nesta língua de forma gradual e espontânea, tornando-se mais segura e independente. O Inglês deixa de ser uma “coisa estranha” e se torna algo corriqueiro, natural. Nossa intenção é tornar a formação de nossas crianças cada vez mais completa, preparando-as para serem homens e mulheres do mundo globalizado e competitivo em que vivemos.
2 – ESPAÇO FÍSICO/PEDAGÓGICO
Buscando ir ao encontro destas metas, nosso espaço físico-pedagógico possui, além das salas tradicionais de cada turma - dotadas dos materiais e recursos necessários às atividades programadas, tais como jogos de caráter educativo e recreativo, materiais didático-pedagógicos específicos de matemática, linguagem e outros conhecimentos - salas-ambientes de Teatro e Leitura, de Música e Vídeo e um Laboratório de Informática que dispõe de sete computadores em rede, além de um pátio coberto onde semanalmente são ministradas, por profissionais especializados, a todos os nossos alunos, aulas de Expressão Corporal e Educação Física.
Nossos alunos participam também, sem nenhum ônus para os pais, do Núcleo Artístico e Esportivo da escola, que lhes proporciona a oportunidade de pertencer a grupos artísticos de teatro, flauta doce e coral, além de receberem aulas de Judô em horário fora do de suas atividades normais. Dispomos ainda de um refeitório e um parquinho recoberto com grama sintética anti-alérgica onde as crianças, principalmente as menores, participam diariamente de atividades lúdicas.
Além disso temos à nossa disposição para a realização das solenidades e apresentações de final de ano, graças a um convênio firmado com a Faculdade CCAA, a partir de 2007, o Teatro Berdge Kessedjian e Diran Kessedjian, muito confortável, com 194 poltronas acolchoadas, ar-condicionado, material técnico de ótima qualidade e amplo estacionamento gratuito.
3 – ORGANIZAÇÃO DAS TURMAS
Em conformidade com a Nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 20 de dezembro de 1996, as turmas de Creche, Pré-Escola e do Ensino Fundamental da Escola Modelo do Grajaú sempre foram organizadas em regime seriado, com base na idade cronológica e no nível potencial e/ou real de desenvolvimento dos alunos, com o que se pretende alcançar o máximo de suas possibilidades de crescimento.
Entretanto, em atendimento à lei 11.274, de 06/02/2006, a partir do ano de 2007 a nomenclatura das mesmas foi modificada, passando a obedecer à seguinte constituição:
• Creche – Turmas formadas por crianças de 2 (dois) e 3 (três) anos.
• Pré-Escola – Turmas formadas por crianças de 4 (quatro) e 5 (cinco) anos.
• Anos Iniciais do Ensino Fundamental – Turmas formadas por crianças a partir de 6 (seis) anos, constituindo o 1°, 2°, 3°, 4° e 5° anos.
• Anos Complementares do Ensino Fundamental – Turmas do 6º ao 9° ano.
4 – SUPORTES TEÓRICOS DA PROPOSTA
A Proposta Pedagógica que nos dá o principal suporte é o Construtivismo Sócio-Interacionista, baseado nas idéias de Lev S. Vygotsky, Jean Piaget, Henri Wallon e Emília Ferreiro, que nos permite estar atentos não somente ao nível de desenvolvimento real da criança – o que ela já é capaz de fazer sozinha – mas também ao seu potencial ainda em fase de amadurecimento, estimulando-o permanentemente através de atividades criativas e lúdicas, realizadas sempre que possível em grupo.
Todavia isto não nos tem impedido – até por uma questão de autenticidade e liberdade de ação pedagógica – de, sempre que se faz necessário, nos abrirmos a outras idéias, sejam elas de Célestin Freinet, Maria Montessori ou mesmo da Escola Tradicional, desde que sejam estas as que melhor atendam às especificidades de determinados conteúdos.
Desta maneira temos conseguido, o mais seriamente possível, atingir todos os importantes objetivos traçados pelo artigo 32 da Nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394 de 20 de dezembro de 1996), em seus itens I, II, III e IV, ou seja, desenvolver no aluno a capacidade de aprender, a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores da sociedade, formando atitudes, criando e respeitando valores, além de aproveitar todas as oportunidades possíveis no sentido de fortalecer os vínculos de família, os laços de solidariedade humana e de respeito entre as pessoas.
Nosso Planejamento Escolar, em qualquer de seus níveis e modalidades, tem também como suportes as normas emanadas dos níveis central e regional, as quais são adaptadas e coadunadas no sentido de atender às solicitações da comunidade na qual a escola está inserida. Assim sendo, preocupados em dar maior flexibilidade ao nosso trabalho, os Planos de Ensino inicialmente elaborados por nossos professores são permanentemente avaliados e reformulados sempre que há necessidade, o que é feito por ocasião das reuniões de planejamento, realizadas semanalmente, nas quais sempre há debates e troca de experiências, não só entre os docentes da escola mas algumas vezes com especialistas previamente convidados. Esta atitude de permanente “vigília”, acreditamos, tem tornado os nossos planejamentos muito mais vivos e lhes dado cada vez melhor qualidade.
5 - VERIFICAÇÃO DO RENDIMENTO ESCOLAR
A verificação do rendimento escolar, de acordo com a lei, compreende a avaliação do aproveitamento e a apuração da assiduidade, conforme amplamente descrito em nosso Novo Regimento Escolar.
Assim sendo, especificamente no tocante aos alunos do Ensino Fundamental, a avaliação é feita de forma contínua, expressa em notas bimestrais, envolvendo aspectos formativos e informativos, objetivando permitir a diagnose do binômio ensino-aprendizagem e caracterizando o aluno em função dos critérios estabelecidos. Nela são considerados os trabalhos individuais, os trabalhos feitos em grupos, as provas, os testes, assim como as auto-avaliações e as avaliações feitas a partir de observações do professor.
Na medida em que tanto a Educação Infantil quanto o 1º ano do Ensino Fundamental não possuem natureza reprobatória, nestas turmas a avaliação é feita mediante acompanhamento, pelo professor, relatado em ficha específica que envolve o desenvolvimento individual e social dos alunos, observando-se os aspectos físicos, emocionais, afetivos, cognitivo/lingüísticos e sociais que envolvem o processo ensino-aprendizagem.
A Escola Modelo do Grajaú também adota um Relatório Individual relativo ao desempenho de cada aluno em particular, contendo seus interesses e desinteresses, empenho em realizar as tarefas, situações que merecem cuidados, sugestões concernentes ao crescimento dos mesmos, redigido bimestralmente pelos professores, permitindo aos responsáveis um conhecimento mais aprofundado sobre o dia-a-dia dos educandos na instituição.
Além do Relatório Individual, os professores das turmas da Educação Infantil e do 1º ano do Ensino Fundamental elaboram e entregam aos responsáveis um relatório detalhado sobre as atividades e os conteúdos trabalhados pelas turmas como um todo.
Importa dizer também que fazemos uso de mecanismos não tradicionais de verificação da aprendizagem, principalmente através de atividades lúdicas e da produção de trabalhos (individuais e coletivos), através dos quais temos buscado não cercear a liberdade de expressão do aluno. Desta maneira acreditamos que estamos tendo uma visão muito mais real e justa sobre seus verdadeiros conhecimentos.
Todavia, no tocante ao Ensino Fundamental – com exceção do 1° ano, que como dissemos anteriormente possui avaliação diferenciada prevista na lei 11.274, de 06/02/2006 –, nossos alunos são também alvo de avaliações formais, havendo por bimestre um ou mais testes (orais ou escritos) e trabalhos individuais ou de grupo relativos aos conteúdos estudados, além de uma prova. A média bimestral é fruto da soma destas avaliações formais, mais uma nota de auto-avaliação que o próprio aluno se confere e uma nota atribuída pelo (a) professor (a), que corresponde aos aspectos cognitivo, afetivo e psicomotor por ele (a) observados no educando.
Como se pode inferir de todo o exposto, nossa verificação do rendimento escolar é feita em caráter permanente, perfazendo todo o processo de construção do conhecimento e não apenas em avaliações formais, oferecendo constante e paralelamente ao processo de aprendizagem, a todos os alunos, oportunidades de refazer o percurso anteriormente adotado e buscar o melhor caminho para (re) elaborar o seu próprio saber.
Em decorrência do que acabamos de expor a escola oferece, aos alunos do Ensino Fundamental que não alcançam bimestralmente a média 7,0 (sete) em algum componente curricular, a possibilidade de freqüentar durante o ano letivo, em horário diferenciado da escolaridade normal, aulas de recuperação paralela, visando melhor aproveitamento futuro mas sem possibilidade de modificar de imediato as notas já obtidas.
A escola também proporciona estudos e avaliações de recuperação, ao final do ano letivo, para os alunos dos Anos Complementares do Ensino Fundamental que não alcançam média final 7,0 (sete) em qualquer um dos componentes curriculares. Todavia, o número máximo de componentes curriculares com médias finais abaixo de 7,0 (sete), para que o aluno tenha direito à recuperação ao final do ano letivo, é de 3 (três). Assim sendo, o aluno dos Anos Complementares do Ensino Fundamental que obtém, durante o ano letivo, média final inferior a 7,0 (sete) em 4 (quatro) ou mais componentes curriculares é automaticamente reprovado.
6 – EDUCAÇÃO INFANTIL
A Educação Infantil, em nossa instituição, trabalha com os seus dois segmentos (Creche e Pré-Escola), atendendo a crianças de 2 (dois) a 5 (cinco) anos e nove meses. No sentido de desenvolvê-las harmoniosamente e de forma integral, temos buscado dar-lhes as mais variadas oportunidades de aprimoramento quanto aos aspectos físico, psicológico, intelectual e social, cientes de que nossa ação complementa de forma substancial a ação da família e da sociedade sobre as mesmas. E estas oportunidades de crescimento correspondem sobretudo à criação de um ambiente de carinho, respeito e aceitação de si mesmo e do outro, que se concretizam principalmente através das atividades lúdicas praticadas em grupo.
Em busca destes objetivos, nossos alunos da Creche e da Pré-Escola são alvo permanente de acompanhamento, registro e avaliação quanto ao desenvolvimento em todos os aspectos anteriormente abordados, não somente por parte das suas professoras mas por todos os especialistas que complementam o trabalho educacional, sem que isto absolutamente incorra em aprovação ou não para o próximo nível de escolaridade, não só em cumprimento ao que determina o Art. 31, Seção II, Capítulo II – Da educação básica, da Lei 9.394 de 20 de dezembro de 1996, mas porque faz parte da própria filosofia da escola anteriormente exposta.
Neste nível de escolaridade as próprias professoras das turmas vêm sendo encarregadas, desde a inauguração da escola, de ministrar atividades de música, teatro, artes plásticas e informática, para as quais são devidamente orientadas.
Todavia um dos componentes curriculares, a Língua Inglesa, que até 2007 ficou ao encargo das docentes efetivas das turmas passou, como dissemos anteriormente no item I desta Proposta Pedagógica, a ser trabalhado por uma profissional da área, em vivências diárias com a duração de 30 (trinta) minutos, caracterizando a adoção, pela escola, de uma Educação Bilíngüe.
Complementando este item, resta ainda dizer que todas as turmas desta faixa de escolaridade também participam de aulas semanais de Educação Física e Expressão Corporal com uma professora legalmente habilitada e especializada.
7 – ENSINO FUNDAMENTAL
Mesmo antes do advento da lei 11.274, de 06/02/2006, que ampliou para 9 (nove) anos a duração do Ensino Fundamental, sempre entendemos que no decorrer de todo o processo educativo (fora ou dentro da escola) já estejam sendo desenvolvidas na criança diversas formas de leitura e escrita do mundo, e tivemos em nossa escola turminhas nas quais mais formalmente buscávamos atender a este objetivo. Inicialmente optamos pela alfabetização mais completa das crianças aos 6 (seis) anos, e denominávamos pré-alfa à turma de 6 (seis) anos de idade, da Educação Infantil, na qual se buscava formalizar a aquisição da escrita, visto que as pesquisas nos vinham mostrando que, no mundo de hoje, ao atingir esta faixa etária as crianças já acumularam todos os conhecimentos e estruturas suficientes para esta construção mais elaborada.
Assim sendo, consideramos que a única modificação havida com o surgimento desta nova lei foi apenas no tocante ao agrupamento destas crianças não mais à Educação Infantil mas agora ao Ensino Fundamental. Exatamente conforme fazíamos antes, continuamos a dispensar o uso de cartilhas, no 1° ano do Ensino Fundamental, ao mesmo tempo que privilegiamos a aprendizagem/construção feita no próprio ambiente natural de vida do aluno. Este ambiente, como pode ser observado por todos, é rico em leituras de jornais, revistas, rótulos, mensagens televisivas, outdoors, livros de literatura infantil, cartas, bilhetes e tantas coisas mais às quais, inadvertidamente, muitas vezes não damos o devido valor. Deste modo pretendemos que nossos alunos do 1° ano, da mesma maneira que almejávamos antes para os do pré-alfa, tenham possibilidades cada vez maiores de tornarem-se leitores e escritores de texto, ao invés de simplesmente alfabetizados.
Isto posto, cabe dizer que todos os nossos alunos dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, assim como os da etapa anterior, têm sido objeto de uma atenção específica quanto às suas características e prioridades educativas. Acreditando ser possível e necessário dar-lhes uma educação o mais condizente possível com o mundo atual, temos procurado oferecer-lhes uma escola viva, agradável, alegre e produtiva, em que “aprender” não seja sinônimo de “sacrifício” e em que “lazer” não seja sinônimo de “ócio”, mas onde se saiba que ambos são importantes e podem perfeitamente se dar as mãos na construção do conhecimento e na busca de uma escola de qualidade.
Seguindo esta mesma filosofia de ensino e padrão estamos, a partir de 2008, implantando gradativamente os Anos Complementares do Ensino Fundamental. Para elaborar seu currículo, procuramos nos sedimentar em estruturas adotadas por algumas das mais conceituadas escolas de nossa cidade. Assim sendo, oferecemos aos nossos alunos uma carga horária anual de 1.200 (um mil e duzentas) horas de efetivo exercício, quando a obrigatoriedade legal é de apenas 800 (oitocentas) horas, o que redunda numa carga horária de 4.800 (quatro mil e oitocentas) ao final da etapa, quando a previsão legal é de apenas 3,200 (três mil de duzentas) horas.
Por outro lado percebe-se, observando a Composição Curricular anexa a esta Proposta, que procuramos dotá-la de todos os componentes necessários para propiciar aos nossos alunos conhecimentos sólidos, necessários ao mundo de hoje, mas ao mesmo tempo oferecendo oportunidades de que cresçam em cidadania, respeito à ética e apreciando a estética já que, de acordo com o último discurso de O Grande Ditador, do imortal cineasta Charles Chaplin,
Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela.
A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.
Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis.
Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.
Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade.
Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura.
Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido.
Cientes de tudo isto, temos procurado fugir aos padrões tradicionais de ensino na escolha de propostas, métodos e tecnologias adequados ao 3° milênio. Dentre outras opções, destacamos algumas das particularidades que adotamos:
- Procuramos modernizar o “Dever de Casa” e atualizar o conceito de “Pesquisa Escolar”. Neste sentido, não temos obrigado nossas mães de alunos a fazer pesquisas para os filhos, ou que “façam de novo o primário”, como algumas pessoas costumam dizer. Nossos alunos, por iniciativa própria e/ou “amarrados” por compromisso firmado com as professoras podem, por exemplo, selecionar notícias de jornais, revistas e mesmo da TV para discutir com seus colegas; entrevistar pessoas da família ou de suas relações sobre temas em estudo; fazer o relato oral ou escrito de experiências vividas fora ou dentro da escola; selecionar assuntos que gostariam de conhecer para que estes sejam anexados à programação do (a) professor (a), entre mil outras atividades prazerosas e inteligentes.
- Todos os nossos alunos, a partir do 1° ano do Ensino Fundamental, aprendem também a ler música. A aprendizagem musical dá-se, durante os Anos Iniciais do Ensino Fundamental, através da aprendizagem de Flauta Doce. Nos Anos Complementares do Ensino Fundamental os alunos recebem aulas de Violão.
- Núcleo Artístico e Esportivo: A escola proporciona ainda a todos os alunos dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental a oportunidade de participarem, pela manhã, de aulas de Teatro, Flauta Doce, Coral, Artes Plásticas e Judô. Estas atividades nos permitiram a criação de grupos artísticos que se apresentam periodicamente para toda a comunidade, assim como uma equipe de judô que tem participado de alguns eventos esportivos.
- Adotamos, finalmente, o método de “Projetos” na condução do processo educacional de nossos alunos, através do qual temos buscado, além de promover a importantíssima transversalidade entre os conteúdos, criar um clima permanente de interesse e participação por parte de toda a comunidade escolar.
CONCLUSÃO
Conforme vimos expondo, nossa Proposta Pedagógica pretende sobretudo formar indivíduos mais criativos, independentes, com disposição para tomar iniciativas próprias e fazer pesquisa, mas que ao mesmo tempo acreditem que o conhecimento deve ser feito através da interação e da cooperação entre as pessoas e em uma sociedade mais fraterna e menos competitiva.
É desta forma que temos pretendido, o mais firmemente possível, atingir todos os importantes objetivos traçados pelo artigo 32 da Nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394 de 20 de dezembro de 1996), em seus itens I, II, III e IV, desenvolvendo no aluno a capacidade de aprender, a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores da sociedade, formando atitudes, criando e respeitando valores, aproveitando todas as oportunidades possíveis no sentido de fortalecer os vínculos de família, os laços de solidariedade humana e a tolerância entre as pessoas.
EQUIPE PEDAGÓGICA DA ESCOLA MODELO DO GRAJAÚ